Amélia que era ônibus de verdade

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

Amélia
Caio “Amélia I”, como muitos chamavam, da Viação Paratodos, em São Paulo, Mercedes Benz 1113. O grande desafio para os engenheiros da Caio era manter mercado para a encarroçadora frente às inovações das concorrentes com a responsabilidade de suceder um dos modelos de grande destaque da empresa, o inovador para época, Caio Gabriela.
Porém, tinha vaidade. Foi um desafio para os engenheiros da Caio apresentarem um projeto que aperfeiçoaria o Gabriela, um sucesso que trouxe inovações para o mercado de carrocerias. O Amélia foi contemporâneo a uma época de mudanças nos transportes urbanos.
ADAMO BAZANI
Neste carnaval, nada melhor do que lembrar da história do Samba. Mas você sabia que a uma parte da memória do samba e uma página da história dos transportes no Brasil se encontram, pelo menos no nome.
Quem não se lembra ou até não cantou uma parte da música “Ai Que Saudades da Amélia”, de 1941, escrita por Mário Lago e que recebeu melodia criada por Ataulfo Alves.
Há quem diga que Amélia realmente existiu e seria Amélia dos Santos Ferreira. São várias versões entre elas de que Amélia era uma mulher que Aníbal Alves de Almeida, conhecido como Almeidinha, irmão da cantora Aracy de Almeida, sempre falava de uma mulher que lavava, cozinhava e passava e que realmente existia. Seria uma lavadeira, fiel ao seu marido. Almeidinha então cantarolava sua história na brincadeira, o que deu a ideia a Mário Lago, que pertencia à roda de amigos.
Na história dos transportes, houve também Amélia. Foi um modelo de ônibus dos anos de 1980, fabricado pela encarroçadora Caio, um dos grandes sucessos nas linhas urbanas.
Houve uma outra versão de que a música teria sido encomendada por Getúlio Vargas.
Mas o Amélia não surgiu tão no acaso. Foi fruto de um planejamento para a empresa continuar sendo uma das principais fabricantes de modelos urbanos. E neste Carnaval, o Blog Ponto de Ônibus reapresenta uma matéria de 16 de maio de 2010, com dados sobre a história do modelo e, consequentemente, dos transportes e do dia a dia das cidades:
A primeira imagem, de acervo de Alberto Gomes, traz de um Caio Amélia I, da Viação Paratodos, na época do padrão “saia e blusa” dos ônibus de São Paulo. Ao lado, é possível ver um Marcopolo Torino, das primeiras gerações do modelo. O sistema saia e blusa foi adotado na Capital Paulista em 1978 na tentativa de organizar os operadores pelas regiões que prestavam o serviço. A saia, parte inferior da carroceria, sob o friso na altura das rodas, correspondia à área a ser atendida. A segunda retrata um Scania articulado F 113 da CMTC, um veículo para grande demanda.
As fotos nos fazem remeter a um dos modelos de ônibus de grande sucesso e importância para a indústria nacional: o Caio Amélia. Então, vamos a um resumo de sua longa e bela história.
O Caio Amélia foi um dos grandes sucessos da encarroçadora Paulista, fundada em 1945, pelo imigrante italiano José Massa, ex colaborador da Grassi, primeira empresa a fabricar carrocerias em série no País.
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Amélia
O Caio Amélia veio numa transição do mercado de ônibus e tinha de se adequar ao momento. A Caio fazia carrocerias para chassis mais simples, de motor dianteiro, e as que atendiam novas normas, com motor atrás ou no meio.
O Amélia “nasceu” com uma grande responsabilidade: suceder o Caio Gabriela, modelo que conquistou tanto mercado, que foi responsável pela entrada da Caio em regiões onde não atendia em larga escala. Além disso, algumas cidades tinham as frotas praticamente formadas somente por Gabrielas.
O Gabriela foi uma inovação tanto na parte estética como na estrutural. Suas linhas eram mais retas, a lataria “mais limpa” de detalhes, as áreas envidraçadas eram maiores, possibilitando maior visibilidade aos passageiros e motorista, e havia reforços em várias partes da carroceria.
Coube aos engenheiros da Caio aperfeiçoarem a inovação, já que as concorrentes da encarroçadora começaram a oferecer novos produtos, que aos poucos desviavam as atenções em relação ao Gabriela.
A solução encontrada resultou no Amélia. E a palavra aperfeiçoamento é uma das mais indicadas para falar da concepção do modelo. As linhas do design ficaram mais retas ainda, porém menos “quadradas” que a de concorrentes como a Marcopolo, e a área de visibilidade aumentou. Além disso, uma melhor disposição dos assentos no salão de passageiros, com possibilidade para mais configurações marcou o projeto do Amélia, pensando ainda enquanto o Gabriela permanecia na linha de produção.
Amélia
O modelo, com linhas mais modernas que o antecessor Gabriela, tinha a responsabilidade de continuar o sucesso no mercado de urbanos.
A substituição e o início da fabricação do Caio Amélia começou em 1980. O modelo não fez feio em relação ao seu antecessor de sucesso, Caio Gabriela, mas não teria conseguido a mesma fatia do mercado por conta das novas opções de outros fabricantes que eram colocadas à disposição dos frotistas em todo o País.
O Amélia foi destaque também no exterior, tendo várias unidades exportadas e montadas em outros países, principalmente da América Latina.
O modelo também traz em sua história outro marco no legado da Caio. Foi o primeiro modelo a ser produzido na planta da empresa em Botucatu, interior de São Paulo, inaugurada em 1982, com uma área total de quase 300 mil metros quadrados.
O Amélia foi considerado o modelo da Caio Botucatu, em sua saga.
Houve o popularmente chamado Amélia I que entre as características trazia um conjunto óptico traseiro com duas lanternas (uma de cada lado) e o Amélia II, com quatro lanternas (uma sobre a outra de cada lado).
O Amélia foi colocado no mercado numa época de transição, na qual os velhos LPOs da Mercedes Benz, a grande maioria que o Gabriela encarroçou, eram substituídos por chassis mais modernos, tanto da Mercedes como de outras montadoras. Uma exigência do mercado, das cidades e da população que começava a se conscientizar e mostrar ao poder público que não queria mais ser transportada em caminhões vestidos de ônibus. E por mais que os administradores pudessem ser aliados aos transportadores, alguma resposta era necessária. O Amélia foi o modelo que encarroçou um dos dois primeiros trolebus articulados de São Paulo, ao lado do Marcopolo Torino, no ano de 1985.
Já havia Gabriela articulado, aliás, em 1978, sobre um chassi Scania B 111, surgia no Brasil o primeiro ônibus articulado do país, justamente com carroceria Caio modelo Gabriela.
Mas foi nos anos de 1980 que os articulados se popularizavam e eram implantados em maior quantidade e em mais sistemas de transportes. Assim, foram muito comuns Amélias articulados.
Amélia
O modelo além de receber verão articulada, encarroçou trólebus, como para a CMTC, na Capital Paulista
Com a expansão do mercado e mais diversidade de chassi, numa época contemporânea ao Amélia, a Caio começou a encarroçar em maior número marcas como Scania e Volvo. O início de um uso maior de motores traseiros para serviços urbanos também foi uma das marcas na história do Amélia. A Caio começou a adaptar seu produto urbano, justamente o Amélia, para esta realidade.
A produção do Amélia se prolongou até 1988, quando foi substituído pelo Vitória, modelo que começou a ser fabricado entre 1987 e 1988, outro sucesso da Caio.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Amelia
Caio Amélia II, da CMTC – Companhia Municiapl de Transportes Coletivos, modelo S 112. O Amélia foi contemporâneo à expansão de diversos modelos de chassis no mercado urbano, terreno quase exclusivo da Mercedes Benz em algumas épocas, e à popularização de novas soluções para o sistema de diversas cidades, como o crescimento do número de veículos articulados.

Uganda lança micro-ônibus movido à energia solar

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

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Placas de energia solar no teto do micro-ônibus
Kiira Motors acredita que produção em escala comece em 2018
ADAMO BAZANI
A fabricante Kiira Motors lançou em Uganda o protótipo de um micro- ônibus movido à energia solar.
O modelo é o Kayoola que possui duas baterias que recebem energia elétrica produzida depois de placas no teto do veículo captarem luz solar.
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Veículo tem dimensões reduzidas e pode chegar a 100km/h
O protótipo pode desenvolver velocidade de 100 km/h e as baterias têm autonomia de 80 quilômetros se estiverem completas e não forem recarregadas. Mas as placas são sensíveis para ter sensibilidade de captarem pouca incidência de luz, permitindo assim a geração de energia para as baterias.
O micro-ônibus tem comprimento total de 9,14 metros e capacidade para 34 passageiros sentados.
Com a apresentação do protótipo, a fabricante quer atrair investidores de todo o mundo. A estimativa é que possa ser produzido em escala a partir de 2018, com o empreendimento podendo gerar mais de 7 mil empregos diretos e indiretos em Uganda.
Até 2039, a Kiira Motors acredita que todas as peças e a tecnologia do veículo sejam produzidas em Uganda. Hoje seria necessária a importação de parte dos componentes.   Com a nacionalização, o preço do micro-ônibus a energia solar poderia chegar a US$ 58 mil.
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Acompanhe vídeo de apresentação:


Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Obama quer cobrar US$ 10 por barril de petróleo para financiar transportes públicos

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

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Faixas de ônibus e veículos menos poluentes são realidades em diversas cidades norte-americanas, mas Casa Branca quer ampliação dos sistemas.
Objetivo, segundo presidente, é ampliar rede de transportes limpos, mas deve haver resitências
ADAMO BAZANI
Enquanto no Brasil se discute a possibilidade da municipalização da Cide – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, chamado imposto do combustível, que financiaria obras e tarifas do transporte público, nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama vai propor algo semelhante na próxima semana.
De acordo com informações de agências internacionais, a proposta do presidente é criar uma taxa de US$ 10 por barril de petróleo, que hoje custa em torno de US$ 30. O objetivo da proposta é reduzir a dependência energética de combustíveis fósseis e com o dinheiro financiar a expansão de um sistema de transportes limpos. A verba seria aplicada em redes ferroviárias e também em ônibus menos poluentes. Os Estados Unidos já são conhecidos por terem uma grande frota de ônibus elétricos e híbridos, por exemplo.
Mas como no Brasil haverá dificuldades para criar uma Cide que seja voltada para os municípios e destinada aos transportes, também nos Estados Unidos, Barack Obama deve enfrentar resistências no Congresso para aprovação de sua proposta.
Além de Congresso norte-americano ter maioria republicana, ou seja, de oposição ao governo de Barack Obama, há também uma forte pressão da indústria petrolífera contra os debates para a redução da dependência de combustíveis fósseis.
Para justificar a medida, a Casa Branca apresenta diversos números que relacionam a poluição à dependência do petróleo, entre eles, de que em torno de 30% das emissões de gases poluentes nos Estados Unidos são relacionados aos transportes.
 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Ibrava é outra encarroçadora de ônibus que fecha as portas por causa de crise brasileira

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

Ibrava
Micro-ônibus Ibrava. Licitação de São Paulo pode fazer com que produção seja retomada.
Fabricante de micro-ônibus só deve retomar a produção em 60 dias, se cenário melhorar
ADAMO BAZANI
Nesta semana, a Ibrava – Indústria Brasileira de Veículos Automotores, fabricante especializada em micro-ônibus, encerrou suas atividades temporariamente na planta de Feliz, no Rio Grande do Sul. Foram demitidos 70 funcionários.
Os trabalhos só devem retomar depois de 60 dias, isso se houver melhora no mercado de veículos pesados que foi atingido pela crise econômica brasileira.
De acordo com diretor comercial de sócio da encarroçadora, Miguel Rizzo, ao jornal local Fato Novo, em 2012, chegavam a ser montados 60 micro-ônibus por mês. No ano passado, a média mensal não passou de 20 veículos.
A empresa está instalada no município de Feliz, no Rio Grande do Sul, desde 2008. A Ibrava chegou a participar em 2010 de um projeto de elaboração de um novo trólebus para Capital Paulista. A unidade ainda roda pelas ruas de São Paulo.
A Ibrava tinha projetos de crescimento. A empresa queria fazer outros veículos além de ônibus e chegou a mandar representantes para China. O objetivo era desenvolver ônibus com tecnologia limpa, como elétricos movidos a bateria, no entanto, após a crise econômica no Brasil, todos os projetos foram por água abaixo.
Além da recuperação da economia, a expectativa da Ibrava é em relação à definição da licitação dos transportes na capital paulista. A Ibrava tem como clientes, empresas que se originaram de cooperativas de transporte e que devem participar do certame que está barrado por determinação do TCM – Tribunal de Contas do Município.
EMPRESAS DO SEGMENTO DE ÔNIBUS ENCONTRAM DIFICULDADE:
Os emplacamentos de ônibus no ano passado caíram mais de 40%. Neste ano já começaram também com queda de quase 50%. Todas as empresas que produzem carrocerias ou chassis dizem encontrar dificuldades.
O segmento de ônibus e caminhões é um dos que mais expressam a realidade econômica brasileira por venderem produtos que são bens de capital e que revelam nível de investimento. Se os outros setores não estão investindo, logo os que produzem bens de capital vão sentir também.
Na semana retrasada, o mercado recebeu a informação de que a Comil, fabricante de carroceria de ônibus, fechou as portas por tempo indeterminado da planta de Lorena, no Interior Paulista, onde eram feitos ônibus urbanos.
A Marcopolo Rio, fabricante de carrocerias de ônibus urbanos, colocou funcionários em regime de lay-off, ou seja, suspensão temporária de contrato de trabalho até 6 de junho de 2016.
A fabricante de chassis Mercedes-Benz anunciou o afastamento por tempo indeterminado de 1.500 operários da principal planta do país, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Os trabalhadores foram colcoados em licença remunerada
 Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Marcopolo Rio em lay-off até junho e Mercedes Benz afasta 1,5 mil

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

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Encarroçadoras de ônibus e produtoras de chassis vão adotar mais medidas para dispensas de trabalhadores, mesmo que temporárias.
Queda nas vendas de veículos pesados por causa da crise brasileira explica as ações das fabricantes
ADAMO BAZANI
Depois do anúncio da encarroçadora Comil de fechar por tempo indeterminado sua planta de ônibus urbanos em Lorena, no interior paulista, para contornar a crise no país que afeta diretamente a venda de veículos pesados, surgem informações sobre outras fabricantes tomaram ações para o que chamam de ajustar a produção à demanda.
A Marcopolo Rio, unidade que fabrica ônibus urbanos distribuiu aos fornecedores uma carta informando que parte dos funcionários da planta em Xerém, onde ficava a antiga encarroçadora Ciferal, comprada pelo grupo, vai ficar em regime de lay-off , ou seja, suspensão de contrato de trabalho, até o dia 6 de junho de 2016. A carta afirma que se houver retomada na demanda, a volta dos trabalhadores pode ser antecipada. No documento, a empresa diz que está adotando diversas medidas para ajustar a força de trabalho à demanda como férias coletivas, feriados prolongados, mas que o cenário econômico não apresentou melhora.
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Já a Mercedes Benz anunciou que a partir deste mês de fevereiro,  1500 operários da planta de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, principal da indústria alemã no Brasil, vão entrar em licença remunerada por período indeterminado. De acordo com a Mercedes Benz, a medida foi necessária porque o acordo adesão ao PPE – Programa de Proteção ao Emprego, que permitiu reduzir a jornada de trabalho e salários em 20%, se mostrou insuficiente diante da crise enfrentada. Estes trabalhadores que vão ter licença remunerada representam em torno de 15% dos cerca de 10.000 funcionários da planta de São Bernardo do Campo. O afastamento será no dia 17 de fevereiro e em maio a montadora vai avaliar se eles vão ou não ser reintegrados.
De acordo com a Mercedes Benz, a planta de São Bernardo do Campo possui um excedente de 2 mil trabalhadores.
Outras encarroçadoras de ônibus e produtoras de caminhões e chassis também vão adotar medidas para redução de mão de obra.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes

Especialistas reúnem os dez maiores mitos sobre trânsito e transportes em todo o mundo

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

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Com uma rede ampla de metrô e com ônibus eficientes, Londres em 2003 adotou pedágio urbano como forma de diminuir congestionamentos.
Segundo site internacional que reúne engenheiros e arquitetos se, por exemplo, houver oferta de transporte coletivo num local sem restrição para os carros, logo o trânsito vai piorar novamente
ADAMO BAZANI
Se de doutor e técnico de futebol todo mundo tem um pouco, ultimamente também cada um tem dado o seu pitaco nos assuntos relacionados à mobilidade. E isso é muito bom, afinal é importante discutir as cidades e como se movimentar de maneira eficiente e humana nelas.
No entanto, também existem muitos mitos em relação ao trânsito que acabam prejudicando o debate.
Por isso que o site CityLab, que reúne especialistas e estudiosos em mobilidade urbana de diversas partes do mundo, trouxe uma relação dos dez principais equívocos quando se fala em trânsito e transportes. Muitos destes equívocos ocorrem por desconhecimento mesmo e outros são de uma maneira sorrateira espalhados para ainda se privilegiar em todo mundo a cultura do carro como principal elemento do transporte. Vale lembrar que o carro não pode ser visto como vilão, mas é o excesso de veículos ao mesmo tempo em deslocamentos rotineiros e o seu uso descontrolado que é o principal problema em relação à poluição e congestionamento nas cidades.
A relação foi escrita por Constanza Martínez Gaete e a tradução é de Camilla Sbeghen para o site ArchDaily.
Você sabia, por exemplo, que de acordo com os estudos não adianta investir somente em transporte público de qualidade sem depois de fazer isso restringir uso do carro de alguma maneira naquele local servido pela nova rede de transporte, seja metrô ou corredor de ônibus? Isso porque, o espaço liberado pelas pessoas que optaram pelo transporte coletivo deixando os seus veículos nas garagens vai ser ocupado por outras pessoas com carro.
Outro dado curioso é que é a falsa a premissa de quanto mais larga a faixa de rolamento numa via, mais seguro será o trânsito mesmo com as motos passando no meio.
Outra constatação dos estudos: ciclovia não piora o tráfego de veículos.
Confira a relação:
  1. “Mais rodovias significa menos tráfego”
A demanda induzida é uma teoria que considera que enquanto existam mais vias para automóveis, mais pessoas terão que usar este meio de transporte, pensando que as ruas e rodovias estarão descongestionadas. Entretanto, na prática, ocorre o contrário, porque uma maior quantidade de vias induz a usar mais o automóvel.
Sobre esta teoria, o artigo do Citylab apresenta-se da seguinte forma: se em uma pista existem 100 automóveis e é construída uma segunda, se poderia pensar que ficariam 50 em cada uma, mas ao longo do prazo o que ocorre é que estas vias serão vistas como uma nova opção de rota para os outros automobilistas.
  1. “Mais trânsito significa menos tráfego”
Quando se anuncia um novo sistema de transporte público, a ideia inicial é que mais habitantes tenham alternativas ao fazerem seus trajetos diários. No entanto, o espaço que é liberado por quem realmente deixa seus automóveis em suas casas e utiliza os ônibus públicos ou metrô, é visto por outros condutores como um novo lugar para circular, o que desemboca em um congestionamento permanente nas ruas.
Por este motivo, o artigo considera adequado que quando é anunciado um novo sistema de transporte público se complemente com a aplicação de taxas de congestionamento, para desincentivar o fato de que mais pessoas utilizem o automóvel.
  1. “As ciclovias pioram o tráfego”
Ao redor do mundo, são várias as cidades que estão eliminando os estacionamentos para automóveis nas ruas ou em vez de destinar uma certa quantidade de pistas aos veículos, habilitam ciclovias no seu lugar.
Exemplos disso são os projetos que foram implementados em ChicagoMontreal Santiago.
Um caso que o site Citylab faz referência é o que fez Nova Iorque, especificamente nas avenidas Columbus e na Oitava. Em ambas, passou-se de cinco pistas para automóveis a quatro, que são mais estreitas, e implementou-se uma ciclovia junto com um espaço de segurança. Com isso, em vez de aumentar o congestionamento, o que aconteceu foi reduzir os tempos os deslocamentos de 35% e 14%, respectivamente.
  1. “Uma avenida grande é mais segura”
Em várias cidades canadenses e estadunidenses, a maioria das pistas para automóveis estão desenhadas com uma largura de 3,6 metros, já que a percepção apontada há décadas que se os espaços para transitar eram mais largos, se tornavam mais seguros e os condutores poderiam manobrar melhor.
No entanto, pesquisas mais recentes demostraram que esta percepção está errada, devido a que induz os motoristas a conduzir mais rápido, fazendo com que o lugar para todos os usuários do espaço viário seja mais inseguro.
Um desses estudos foi o que fez o engenheiro civil Dewan Masud Karim que avaliou dezenas de intersecções de Tóquio Toronto, onde as larguras das pistas são de 3,1 metros e 3,2 metros, respectivamente. Apesar da diferença de dimensões ser pequena, isso influencia notoriamente nas consequências, já que o estudo afirmou que nos cruzamentos da cidade canadense os automóveis conduziam a velocidades 34% maiores em comparação com Tóquio.
  1. “A pista ao lado vai mais rápido”
Quando os condutores estão em um engarrafamento tendem a pensar que a pista do lado sempre anda mais rápido, por isso, tentam trocar de filas constantemente. De fato, este movimento é muito comum, em média, a cada dois quilômetros, o que acaba por tomar mais tempo ainda.
  1. “Má condução”
Para alguns, quando existe um engarrafamento na rua se deve ao fato de que os condutores que ali se encontram não sabem conduzir. Este mito é esclarecido pelo artigo de Citylab mencionando que cada movimento impreciso durante a condução gera uma “onda de choque” que desemboca em um efeito dominó de congestionamento através das ruas ou rodovias.
  1. “É preciso retirar muitos automóveis das rodovias para reduzir o congestionamento”
Durante os dias que antecederam a visita do Papa Francisco a várias cidades dos Estados Unidos, os departamentos de transporte de cada uma e os meios de comunicação anunciaram as interrupções de trânsito que aconteceriam.
Diferentemente do congestionamento que era previsto, não houve episódios de grande magnitude, pelo contrário, as ruas estiveram mais vazias. de fato, enquanto o Papa esteve em Washigton, o tráfego de veículos motorizados diminuiu 5% e as rodovias reduziram o congestionamento em até 27% durante os horários de pico. Por que isso aconteceu?
Segundo publica Citylab, isso aconteceu pelo aviso prévio feitos aos funcionários públicos e os meios de comunicação. Imaginem os efeitos que isso traria para as cidades se fosse anunciado diariamente?
  1. “Eliminar uma rodovia urbana pode de ser um pesadelo para o tráfego”
O anúncio da construção de uma rodovia ainda é visto, por alguns, como uma solução para o congestionamento viário.
Entretanto, a tendência que está se multiplicando em algumas cidades e que demostrou efeitos positivos nesse tema é que em vez de implementar mais destas infraestruturas, os lugares onde foram feitas está sendo devolvido aos pedestres e aos meios sustentáveis de mobilidade. A razão? Simples. Não fomentar mais o uso de veículos motorizados nas cidades e com isso evitar as desvantagens que traz para os habitantes, ao meio-ambiente e claro, ao congestionamento das ruas.
São muitos os casos deste tipo ao redor do mundo e começaram a ser desenvolvidos há vários anos, ou até mesmo décadas. Por exemplo, em 1974, a cidade estadunidense de Portland decidiu demolir a rodovia Harbor Drive para construir o atual Parque Tom McCall.
Em Cheonggyecheon, Seul, também se demoliu uma rodovia para construir um parque, o que permitiu recuperar um canal subterrâneo para ‘privilegiar’ a passagem de veículos. Ou seja se havia decidido deixar para trás um entorno natural no meio da cidade para convertê-lo em um lugar congestionado. O positivo, tanto para os habitantes quanto para o meio-ambiente, foi que ele se transformou em um novo espaço público.
Se quiser conhecer mais casos deste gênero, lhe convidamos a ler nosso artigo “6 cidades que substituíram suas rodovias por parques urbanos”.
  1. “O preço do combustível não é um inconveniente”
Por muito convenientes que possam parecer os preços baixos dos combustíveis, não se pode esquecer que trazem consigo outros inconvenientes. Neste caso, são sociais e correspondem ao fato de serem um elemento presente no congestionamento atmosférico, o congestionamento viários e as vítimas nos acidentes viários.
  1. “Os condutores arcam com a totalidade do custo de manutenção”
Erroneamente, parte dos automobilistas acreditam que pagar as  as taxas de circulação, lhes confere maior direitos de uso do espaço viário porque são eles quem pagam a manutenção de infraestrutura viária.
No Estados Unidos, a situação foi assim até que entrou em vigência o projeto de Lei de Rodovias Federais que indica que em vez de aumentar o imposto dos combustíveis, se teve que recorrer aos outros fundos públicos para financiar a manutenção das rodovias, o que o Citylab  descreve que “fez com que a situação fosse ainda pior”.
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes
Matéria: Constanza Martínez Gaete (CityLab)
Tradução: Camilla Sbeghen (ArchDaily)

Total de ônibus novos Torino para Anápolis chega a 102 unidades

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

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Primeiros veículos começaram a operar em novembro. Unidades com motor traseiro foram destaques
ADAMO BAZANI
A encarroçadora Marcopolo anunciou nesta segunda-feira, 1º de fevereiro de 2016, que o lote do modelo urbano Torino para o transporte público em Anápolis, Goiás, é de 102 unidades .
Os primeiros 58 veículos começaram a circular em novembro e o restante do pedido deve ser entregue ainda neste primeiro semestre. Os ônibus foram comprados pelo consórcio UrbAN  – Mobilidade Urbana de Anápolis. Os veículos serão utilizados pelas empresas São José do Tocantins e VIACAP.
Em nota, a Marcopolo explica que os ônibus foram entregues em três diferentes configurações: “com capacidade para 79 passageiros (38 sentados) e 80 passageiros (39 sentados), poltronas de encosto alto, portas eletropneumáticas e sistema multiplex. Desses, 65 ônibus possuem elevador semi-automático, 19 são equipados com elevador semi-automático e sistema de ar-condicionado, e os 18 restantes possuem sistema de ar-condicionado.”
O modelo Marcopolo Torino está no mercado desde 1983. Desde então passou por diferentes gerações sendo que atual foi apresentada em 2014. Até agora, mais de 100 mil unidades do modelo foram produzidas desde o lançamento.
Na mesma nota, a empresa ainda informa algumas características do modelo na atual geração:
“sistema multiplex redesenhado e painel de instrumentos com tela colorida de LCD de 3,5 polegadas. Também conta com iluminação interna em LEDs, novos conjuntos ópticos frontal e traseiro que incluem luz diurna, que agrega mais segurança no trânsito urbano.”
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes