Busologia, uma reflexão a ser feita


Já é notório que o termo "busólogo" não é mais de se estranhar. O empenho de todos que compartilham da admiração por ônibus e todas as operações que o envolve fez com que se alcançasse o reconhecimento tão esperado. Na sociedade em que vivemos existem segmentos. Nem todos somos iguais, nem todos somos obrigados a pensar da mesma forma. Temos cérebro para isso, não somos máquinas.
Grupos de indivíduos são norteados por ideologias. Ideologias contrárias sempre existirão, e que continuem a existir, pois aguça a determinação e criatividade destes grupos para darem o melhor de si. A disputa, uma vez pautada na ética e pacificidade, é boa para a difusão de ideias. Exercita a capacidade de ousar, criar, inovar. Estamos presentes neste plano físico para isso.
Busólogos
Todo segmento será alvo de críticas de posicionamentos contrários. Aceitemos isso. E os opositores tem todo o direito de criticar, uma vez em que a Constituição garante à livre manifestação de cada cidadão expressar sua opinião. O que não se pode aceitar são os subterfúgios desvirtuosos utilizados pelos opositores, como acusações sem provas e a manipulação deturpada de fatos para induzir o indivíduo ao erro, sem abrir possibilidade para a defesa do grupo que teve sua honra atacada.
Em meio a tudo isso, existe um valor que contorna todo este embaraçamento: oRespeito. Um indivíduo pode não concordar com a ideologia de outro, mas deve respeitar. Exponha seu argumento, sem ataques, sem ofensas. Tenha um embasamento concreto e com conhecimento de causa. Infelizmente, não é o que vemos por aí.
Provocações, disputa por "exclusividade" (que é, aliás, uma coisa tão torpe quando se relaciona à ônibus, pois, este será visto e usufruído por milhares de pessoas todos os dias quando estiverem em operação, daí o termo cai por terra), discussões banais quando um quer sobrepor o favoritismo de outro... façam o favor. Somos maduros o suficiente para encenar esse tipo de infantilidade.
Mais infantil ainda é quem quer "patentear" o termo busólogo à determinadas funções: tirar foto de ônibus, manter contato com empresa, se encontrar em terminais e rodoviárias, compartilhar "exclusividades" e informações destinadas unicamente ao público especializado, no caso, nós. Entendamos, a busologia é muito ampla, e podemos utilizar o hobby em benefício de todos.
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Não, necessariamente, devemos nos prender ao ônibus, pois este, integrado a um sistema de transporte como um todo (como o próprio nome diz: Integrado), se relaciona à outros modais de transporte necessários para o deslocamento da população nas grandes cidades. Nós, como entendedores do assunto, devemos nos mobilizar e colocar em pauta os desafios e as soluções perante aos gestores responsáveis. A notoriedade começa aí.
Como falar de "crise" se nem mesmo vivenciam as articulações? Não se pode apontar uma "crise" sem participar diretamente do processo de formação de ideias e como aplicá-las para que surta o efeito desejado, no caso, o êxito. Jamais nos verão levantando falsas hipóteses com qualquer indivíduo ou grupo que exista. Faça o seu trabalho que fazemos o nosso.
Escrevo isso por mim mesmo, sem representar o grupo que faço parte. Gosto de ônibus, sou busólogo. Não tenho câmera última geração, não posto fotos no OB, nunca tive "Foto da Hora", conheço poucos busólogos, não tenho destaque e nem almejo isso. Não precisamos de ninguém para dizer como se deve proceder como busólogo, coisa que muitos expõem em blogs e fóruns, com argumentos arbitrários e intolerantes.
Viva o hobby em seu íntimo, de forma única e pessoal, porém, quando em grupo, deve ser praticada de forma responsável para que, em fatos isolados que venham a ameaçar a integridade moral do grupo, não venha a cair sobre os demais que não tiveram participação. Isso é regra em qualquer grupo, de qualquer ideal, que existir sobre a face da Terra.
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Não estou obrigando ninguém a seguir dessa maneira, estaria me contradizendo. Apenas indico um comportamento que é quase unânimidade entre os amigos. Seguida de forma unilateral, atinge-se um equilíbrio necessário para o prosseguimento da busologia.
Além disso, devemos incentivar, através de aparições em veículos de comunicação, outras pessoas que guardam a admiração por ônibus e que venham a conhecer outras pessoas e grupos que compartilham do mesmo. Vejam bem: conhecer pessoas egrupos. Não se deve atrelar um indivíduo a um determinado grupo, este tem o livre poder de escolha mediante os seus critérios.
Meu desejo é que esta carta chegue a um número considerável de vários colegas de hobby. Os conhecidos, os não conhecidos, os membros do grupo que participo ou de outros, os busólogos e não busólogos, qualquer pessoa que compreenda a questão social aqui abordada. Não se restringe somente à nós.
Matéria: Marcelo Filho – Fortalbus