Manaus apresenta Plano de Mobilidade com BRT

Fonte: Blog Ponto de Ônibus

ônibus manaus
Ônibus em Manaus. Estudo que deu bases para a elaboração do Plano de Mobilidade mostra alto custo para uma cidade por causa do privilégio ao transporte individual.
Cidades com mais de 20 mil habitantes deveriam ter concluído planos em abril
ADAMO BAZANI
A prefeitura de Manaus apresentou nesta quarta-feira, 18 de novembro de 2014, o Plano de Mobilidade para a cidade.
Uma das intervenções com maior destaque no plano da capital do Amazonas é a implantação de um sistema de BRT – Bus Rapid Transit – corredores mais modernos de ônibus que possibilitam tráfego mais rápido.
Os detalhes de como será o BRT devem ser apresentados até o final do ano ao Governo Federal para a cidade conseguir recursos.
O prefeito Artur Virgílio Neto explicou em entrevista coletiva, disponibilizada para outros estados pelo setor de comunicação, que havia dúvidas sobre o principal modal de transportes coletivos. Uma das opções seria o monotrilho, mas de acordo com o prefeito, estudos mostraram que o sistema seria caro para uma demanda semelhante à atendida pelo BRT.  A antiga administração municipal, segundo ele, apresentou uma proposta de BRT, mas com falhas.
“Hoje, o governador José Melo e eu, temos uma consonância pelo BRT e, até o final do ano, vamos apresentar um projeto junto ao governo federal e buscar investimentos para sua correta implementação. Um dos nossos desafios era apresentar o Plano de Mobilidade, com nossas diretrizes, consolidando o BRT. Agora, vamos trabalhar para acabar com aquela história que tem dinheiro disponível, mas não tem projeto. O que houve foi uma promessa e que queremos é torná-la realizável” . .. A minha dúvida é se o governo entrega de verdade o dinheiro para fazer o BRT que é o mais barato dos modernos e contemporâneos meios de transporte. Não estou pedindo muito. O governador Melo está pensando a mesmo coisa. Ninguém está pensando mais naquela coisa tola e mal-intensionada que era o  monotrilho, projeto ruim que não resolve nada e só oneraria o bolso dos passageiros. É coisa para a Disneylândia”, – disse na coletiva.
No entanto, o superintendente municipal de Transportes Urbanos, Pedro Carvalho, disse que até 2035, Manaus deve ter uma rede de metrô leve para atender mais adequadamente a demanda.
“Mesmo com o BRT funcionando integradamente com o sistema convencional, o estudo já mostra a necessidade da implantação de um sistema de trilho dentro de um prazo de 10 anos. . Os prognósticos mostram que o BRT deverá servir bem a população até 2025 e o metro leve, modal por trilhos, até 2035” – segundo material divulgado pela prefeitura.
O Plan-Mob Manaus, segundo a administração municipal, tem o objetivo de reduzir em 15% os custos estimados em deslocamentos, hoje maiores por causa do aumento do uso do transporte individual. Entre investimentos e benefícios sociais com as obras, o plano estima uma cifra de R$ 9 bilhões, sendo R$ 2,5 bilhões em investimentos diretos por 25 anos. Somente o BRT, deve custar cerca de R$ 400 milhões, para 20 quilômetros.
Segundo o estudo para elaborar o plano, o custo com o transporte individual é alto, prejudicando a cidade como um todo.
“Para a elaboração do PlanMob-Manaus foram realizados estudos que apontam para o crescimento no índice de motorização da cidade e a perda gradativa da participação do modo coletivo nesse percentual. Conforme esses estudos, a cidade passou de 95 automóveis por mil habitantes, em 2005, para 161, em 2015. Enquanto isso, a participação do modo coletivo de motorização caiu de 53% para 39,5% em igual período, enquanto a motorização individual cresceu 14%, subindo de 15,5% para 30,5%. Outro dado apontado no levantamento mostra que Manaus interrompeu, no passado, a constituição de um sistema integrado e de racionalização da rede de serviços de transporte coletivo, bem como interrompeu a expansão dos corredores exclusivos, mantendo os terminais já construídos em estado bastante insatisfatório, com consequências na imagem, na funcionalidade e na lógica do transporte coletivo. Por outro lado, a mobilidade motorizada em Manaus gera um custo estimado de R$ 4,9 bilhões, sendo R$ 3,2 bilhões associados à mobilidade motorizada individual e R$ 1,7 bilhão para mobilidade por meios coletivos. Os custos sociais são medidos no tempo das pessoas, emissão de gases nocivos à saúde e de efeito estufa, nos acidentes e nos custos operacionais para dispor, manter e circular com automóveis e ônibus. Se nada for feito, os prognósticos apontam para um custo superior a R$ 7,6 bilhões (25%) até 2035. – explica a prefeitura em nota, que ainda diz que estão previstas construções de vias ligando os bairros para diminuir o fluxo na região central e uma rede de ciclovias, além de aperfeiçoamentos da infraestrutura para deslocamentos a pé.
O plano foi desenvolvido pela empresa terceirizada Oficina Engenheiros Consultores Associados Ltda., com supervisão do Instituto Municipal de Engenharia e Fiscalização do Trânsito (Manaustrans), Superintendência Municipal de Transportes Urbanos (SMTU), Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf) e Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb).
De acordo com a lei 12.587/12, até abril deste ano, todas as cidades do País com 20 mil habitantes ou mais deveriam ter elaborado seus planos, mas o Ministério das Cidades, que acompanha o cumprimento da lei e libera a maior parte das verbas do PAC Mobilidade Urbana para as obras, até abril de 2015, somente 30% dos municípios acima de 500 mil habitantes estavam com o plano concluído ou em fase de elaboração. No caso das cidades entre 250 mil e 500 mil habitantes, 80% delas não têm plano de mobilidade. A realidade das cidades entre 50 mil e 250 mil habitantes é mais frustrante ainda: 95% não concluíram o plano.
O Projeto de Lei 7898/14, do deputado Carlos Bezerra, quer prorrogar este prazo para abril de 2018.
O plano  de Manaus pode ser consultado neste link:
Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes